Assim que as candidaturas à Presidência da República forem confirmadas oficialmente pelos partidos políticos, será entregue aos candidatos uma carta institucional com propostas para fortalecer a transição energética no Brasil e incorporar o tema ao debate eleitoral de 2026. O documento é endossado por mais de 24 organizações e empresas defensoras de uma agenda para a segurança energética, competitividade industrial, atração de investimentos e geração de empregos.
As organizações avaliam que a transição energética ainda ocupa espaço reduzido no debate eleitoral brasileiro, apesar de seus impactos diretos sobre economia, indústria, emprego, segurança energética e qualidade de vida da população. Pesquisas recentes indicam que temas como saúde, segurança pública, economia e inflação concentram maior atenção do eleitorado, enquanto a transição energética praticamente não é mencionada.
A proposta do grupo, liderado por Global Renewables Alliance (GRA) e Global Wind Energy Council (GWEC), é contribuir para que o tema passe a integrar de forma mais consistente as plataformas dos presidenciáveis e seus planos de governo, ao lado das pautas tradicionalmente priorizadas pelo eleitorado.
Segundo Natália Oliveira, Head de Policy and Advocacy para América Latina na Global Renewables Alliance, o objetivo é contribuir para que a transição energética deixe de ser apenas uma agenda técnica do setor e passe a integrar de forma permanente o debate político e eleitoral brasileiro.
“O Brasil reúne condições únicas para transformar energia renovável em competitividade industrial, atração de investimentos, geração de empregos e segurança energética. As eleições de 2026 representam uma oportunidade importante para conectar essas vantagens ao projeto de desenvolvimento que o país deseja construir para as próximas décadas.”
Natália Oliveira, Head de Policy and Advocacy para América Latina na GRA
Energia solar, eólica e hidrogênio verde
Rodrigo Sauaia, presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), afirma que “com os nossos recursos renováveis e com uma boa política pública, podemos trazer energia barata para ajudar a promover uma reindustrialização verde do país, com menos emissão de poluentes, com mais segurança energética e com geração de prosperidade para o Brasil”.
Marcello Cabral, diretor de Novos Negócios da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), afirma que “com vontade política, uma visão adequada do que o Brasil tem como potencial de energias renováveis, o país não pode perder a oportunidade de conduzir esta agenda de uma forma estruturada e é o que estamos fazendo hoje por meio desta carta institucional”.
Luis Viga, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) diz que “o Brasil é um celeiro de soluções energéticas híbridas, situado fora de áreas de conflito. O Brasil conversa tanto com a China quanto com os Estados Unidos. E temos a grande possibilidade de ofertar energia barata, em escala, das mais diversas maneiras. Então, esta é uma oportunidade imensa”.
Entidades e empresas signatárias
Entidades: ABEEólica – Associação Brasileira de Energia Eólica Onshore e Offshore e Novas Tecnologias; ABIAPE – Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica; ABIHV – Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde; Abrage – Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica; ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica; ABSAE – Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia; Coalizão Eólica Marinha (CEM); Global Renewables Alliance (GRA); Global Solar Council (GSC); Global Wind Energy Council (GWEC); Green Hydrogen Organisation (GH2); International Geothermal Association (IGA); International Hydropower Association (IHA); Long Duration Energy Storage Council (LDES Council).
Empresas: Atlas Agro; CELA – Clean Energy Latin America; EDP; EDF; Fortescue; Hitachi Energy; Norsk Hydro; Renova Energia; Thyssenkrupp nucera; Vestas.
Transição energética no debate eleitoral
Na avaliação das entidades e empresas, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação nas cadeias globais ligadas à economia de baixo carbono, aproveitando vantagens competitivas em geração renovável, recursos naturais, capacidade industrial e atração de investimentos. Nesse sentido, o país pode reavaliar sua política de incentivos ao segmento energético, já que para cada R$ 1 destinado às renováveis, aproximadamente R$ 2,52 foram direcionados, em 2024, às fontes fósseis, segundo dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).
A carta aos presidenciáveis defende medidas para a expansão da infraestrutura de transmissão e distribuição, integração entre política energética e política industrial, eletrificação industrial, hidrogênio verde e seus derivados, corredores logísticos e portos verdes, fortalecimento das agências reguladoras e redução progressiva da dependência de combustíveis fósseis, em linha com os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil nas conferências do clima das Nações Unidas, especialmente na COP30.
O documento também destaca a importância de acelerar investimentos em armazenamento de energia, ampliar a segurança regulatória, estimular cadeias industriais de baixo carbono e expandir a oferta renovável ao setor agropecuário com reflexos na segurança alimentar. Atividades com alta demanda energética, como data centers e infraestrutura ligada à inteligência artificial, são apontadas como vetores de crescimento para a demanda por energia renovável. Candidatos aos governos estaduais também receberão a carta.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil alcançou, em 2025, 259,5 gigawatts (GW) de capacidade instalada de geração elétrica e produziu mais de 704 mil gigawatts-hora (GWh). A carta institucional afirma que o país manteve matriz elétrica com mais de 90% de fontes renováveis.




