Educação ambiental transforma rotina escolar com projetos práticos

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As instituições de ensino desempenham um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes, transformando debates teóricos em vivências práticas no dia a dia de crianças e adolescentes. Dados…

As instituições de ensino desempenham um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes, transformando debates teóricos em vivências práticas no dia a dia de crianças e adolescentes. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) apontam que a educação ambiental é central para preparar as novas gerações contra os desafios climáticos, unindo aprendizagem e experiência. No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) também estabelece a sustentabilidade como tema transversal e interdisciplinar.

Na prática, estudantes vêm liderando a busca por soluções para o desperdício, descarte de resíduos e preservação, transformando a escola em um espaço de investigação ativa, como aponta a engenheira ambiental Thaís Milena de Araujo, supervisora de Sustentabilidade Corporativa do Grupo Positivo.

O impacto dessas ações ganha força quando se integra à rotina pedagógica. De acordo com Marizane Piergentile, diretora da Rede de Educação Adventista do Vale do Paraíba, o aprendizado ganha sentido quando é “visto, tocado e vivido”, tornando o cuidado ambiental um hábito, essa proposta permite o diálogo entre diferentes disciplinas. Como destaca Ricardo de Giuli Barbosa, diretor do Colégio Adventista de Guarulhos, a criança que aprende a separar resíduos ou cuidar de uma horta estende esse olhar para dentro de casa, influenciando toda a família.

Pelo país, diversas instituições ilustram como essa sinergia entre cooperação, tecnologia e responsabilidade social gera resultados concretos:

Hortas e bilinguismo
No Colégio Adventista de Guarulhos (Gopoúva), os alunos participam de todo o ciclo de semeadura, cultivo e colheita. A experiência é integrada às aulas de educação bilíngue, onde momentos de degustação servem para expandir o vocabulário no segundo idioma por meio de situações reais.

Composteiras inteligentes
Cerca de 70 estudantes do 5º ano do Colégio Positivo – Água Verde, em Curitiba, integraram conceitos de Ciências e cultura Maker para criar protótipos de composteiras automatizadas com sensores de umidade. O sistema processa os resíduos orgânicos do refeitório e gera adubo para as hortas da instituição.

Robótica sustentável
Mais de 200 alunos do Ensino Fundamental do Passo Certo Bilingual School, em Cascavel, desenvolveram o projeto Sustainable Creativity in Action. Eles reaproveitaram materiais como papelão, garrafas PET, tampinhas e sucata eletrônica para construir robôs nas aulas de tecnologia.

Jornalismo comunitário
Estudantes do 3º ano da Escola Municipal Secretário Olinda de Andrada, em Alterosa (MG), criaram o “Jornal Inteligente: minha, sua, nossa cidade”. Após debates e passeios investigativos sobre o descarte de lixo nos bairros, produziram notícias, realizaram oficinas de reaproveitamento e conquistaram o primeiro lugar nacional no concurso Aprende Brasil Criativo, sob a coordenação da diretora Fabiene Aparecida de Oliveira e da professora Nayra Gonçalves Oliveira.

Consumo consciente de papel
Para reduzir o desperdício, o Colégio Positivo – Joinville retirou as lixeiras de dentro das salas de aula de 220 alunos do Ensino Fundamental. A mudança estimulou o uso correto dos pontos externos de coleta seletiva e gerou, em cinco meses, uma economia superior a 38 mil metros de papel.

Captação de água da chuva
No Colégio Positivo – Júnior, em Curitiba, a curiosidade de crianças da Educação Infantil sobre uma antiga caixa d’água motivou o envio de uma carta coletiva à direção. A mobilização deu origem ao projeto Consciência que Transforma, culminando na instalação de uma cisterna para reutilizar a água pluvial na limpeza e na irrigação.

Despoluição de lagos
Os estudantes Gustavo Campos e Sofia Gastaldim, da 1ª série do Ensino Médio do Colégio Positivo – Londrina, desenvolveram o Garden EcoFlut. Trata-se de um projeto de jardins flutuantes de baixo custo (usando madeira e garrafas plásticas) com camadas de filtragem biológica e sensores de monitoramento de pH e oxigênio em tempo real para melhorar as águas do Lago Igapó.

Sustentabilidade social (ESG)
Focando no pilar social da sustentabilidade, a EMEF Profª Cléia Caçapava Silva, em Paraguaçu Paulista (SP), realizou o projeto “Raízes que nos formam”. A iniciativa promoveu nove oficinas interdisciplinares voltadas à valorização das culturas indígena e africana, resultando em uma exposição aberta que atraiu mais de 1,5 mil visitantes, promovendo empatia e inclusão conforme coordenado por Vanessa de Souza Cunha.


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