De cada 10 brasileiros, 4 desconhecem economia circular

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Enquanto governos, empresas e especialistas aceleram debates sobre economia circular como uma das principais estratégias para enfrentar os desafios ambientais, boa parte dos brasileiros ainda desconhece o tema.…

Enquanto governos, empresas e especialistas aceleram debates sobre economia circular como uma das principais estratégias para enfrentar os desafios ambientais, boa parte dos brasileiros ainda desconhece o tema. Cerca de 45% já ouviram falar sobre o decreto de logística reversa de plásticos aprovado em 2025, mas somente 12% declaram conhecer bem o assunto, enquanto 39% não têm conhecimento sobre esse tema.

É o que revela a 2ª edição da “Reciclagem no Brasil: hábitos, desafios e percepções da população”, pesquisa produzida pelo Movimento Plástico Transforma em parceria com o Instituto QualiBest. A pesquisa, ouviu 834 internautas, de ambos os sexos, com 18 anos ou mais, de todas as classes sociais e regiões do país.

O estudo também revela um cenário favorável para a expansão da logística reversa no país. Atualmente, 28% dos brasileiros já destinaram embalagens para reciclagem em algum momento e 14% afirmaram realizar essa prática com frequência. Além disso, 30% dos entrevistados nunca participaram de programas desse tipo, mas demonstram interesse em fazê-lo. “Os resultados mostram que a reciclagem já faz parte do cotidiano e da percepção dos brasileiros, mas a economia circular ainda é um conceito que precisa ser traduzido para a realidade das pessoas”, afirma Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma.

“Quando a população entender que uma embalagem pode voltar à cadeia produtiva e gerar novos produtos, ela passa a enxergar a reciclagem não apenas como uma ação ambiental, mas como parte de um sistema capaz de reduzir desperdícios e gerar valor para a sociedade. O desafio agora é ampliar o acesso à informação e aproximar esse debate do dia a dia dos consumidores”
Beatriz Geraldes, do Movimento Plástico Transforma.

Apesar do desconhecimento sobre o conceito mais amplo da economia circular, a pesquisa releva que a confiança dos brasileiros na reciclagem permanece elevada. Mesmo diante da limitação como a falta da coleta seletiva e de informação sobre o descarte correto, 54% acreditam que os resíduos separados são efetivamente reciclados. Outros 31% entendem que pelo menos parte desse material recebe a destinação adequada. Apenas 6% não confiam no processo.

Os resultados indicam que essa distância entre o conceito e a realidade dos brasileiros está diretamente relacionada aos desafios enfrentados no dia a dia. Embora a reciclagem seja amplamente reconhecida como uma prática importante, a infraestrutura ainda avança em ritmo lento. Mais da metade (55%) dos entrevistados afirma contar com coleta seletiva em seus bairros ou na sua rua. O número é bem semelhante com os apresentados na pesquisa do ano passado, enquanto 53% afirmaram ter a coleta em rua. Já quatro entre dez respondentes não têm acesso ao serviço.

Quando questionados sobre o que impede de separar mais seus resíduos para a reciclagem, 31% apontam justamente a ausência da coleta seletiva como principal barreira, seguida pela falta de espaço para armazenar os resíduos (25%) e pela falta de informações sobre os materiais que podem ser reciclados (20%).

A percepção de responsabilidade compartilhada também ganhou força em relação ao levantamento anterior. Neste ano, 78% dos entrevistados afirmam que a atuação da própria população é fundamental para o avanço da reciclagem, mas cresce a cobrança sobre outros agentes da cadeia. A parcela que atribui responsabilidade ao governo oscilou de 59% para 63%, enquanto a que aponta as empresas como protagonistas passou de 49% para 55%.

Sustentabilidade influência na decisão de compra

A sustentabilidade começa a influenciar os brasileiros no momento de aquisição de produtos. Segundo o levantamento, 21% dos entrevistados afirmam que pagariam mais por produtos com embalagens que tenham reciclagem garantida, enquanto outros 48% só consideram essa possibilidade dependendo do valor adicional. Apenas 22% rejeitam a ideia.

Entre aqueles que aceitariam um custo maior, o estudo mostra uma tolerância moderada, 51% pagariam até 5% a mais, e 19% um acréscimo entre mais de 5% a 10%.

“Os resultados mostram que o consumidor brasileiro está em um estágio de maturidade importante em relação às pautas ambientais. Existe uma percepção clara sobre a importância da reciclagem e uma disposição crescente para adotar comportamentos mais sustentáveis. Por outro lado, o desconhecimento sobre economia circular indica que ainda há uma oportunidade significativa para educação e comunicação, especialmente em temas que serão cada vez mais relevantes para o consumo e para a gestão de resíduos nos próximos anos”.
Marlene Treuk, Gerente de Pesquisa do Instituto QualiBest


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