Cadeia pode levar ao greenwashing involuntário

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Enquanto empresas investem em energia limpa e processos sustentáveis em suas plantas, o verdadeiro impacto ambiental pode estar ocorrendo fora de suas operações diretas. Em alguns setores, chega…

Enquanto empresas investem em energia limpa e processos sustentáveis em suas plantas, o verdadeiro impacto ambiental pode estar ocorrendo fora de suas operações diretas. Em alguns setores, chega a representar 95% das emissões totais. O desafio é então como gerenciar e monitorar a cadeia de fornecedores.

Dados do Carbon Disclosure Project (CDP) revelam que as emissões de Escopo 3 (geradas por fornecedores, logística e descarte) podem ser até 26 vezes maiores que as emissões internas (Escopo 1 e 2). Para Lucas Madureira, Co-CEO e Co-Founder da Gedanken, muitas vezes o mercado vive uma ilusão de controle. “Empresas afirmam ser sustentáveis olhando apenas para o próprio quintal, enquanto ignoram que a maior parte do seu passivo ambiental e social está na mão de terceiros”, afirma.

Na medida em que avançam os controles para garantir mais transparência, consistência e responsabilidade socioambiental, aumenta a pressão da sociedade para que os negócios estruturem políticas, metas e mecanismos concretos que deem efetividade ao discurso de sustentabilidade. “Sem dados auditáveis da cadeia, o ESG corporativo corre o risco de virar um exercício de ‘greenwashing’ involuntário, onde se tenta gerir o que sequer é medido”, afirma Madureira.

Cadeias são globais e complexas

A dificuldade de acessar dados confiáveis em cadeias globais e complexas deixou de ser uma justificativa aceitável perante investidores e reguladores internacionais. Madureira destaca que o endurecimento de normas, como as diretrizes europeias de Due Diligence de Sustentabilidade, passam a exigir que o C-Level responda pelo que acontece em cada elo da sua rede de suprimentos.

“A tecnologia não é mais um acessório de Compliance, mas o viabilizador de sobrevivência. Tentar gerir 5 mil fornecedores via questionários por e-mail é como tentar apagar um incêndio com um conta-gotas.” Lucas Madureira, CO-CEO e Co-Founder da Gedanken

A Gedanken foi criada há 9 anos e é uma plataforma tecnológica que trabalha com dados de homologação e compliance de terceiros, a fim de reduzir riscos e construir relações mais seguras entre os parceiros de negócios. Bruno Soares, gerente da Comunidade de Sustentabilidade da Gedanken, explica que o processo começa com a indicação pelo cliente de sua rede de potenciais fornecedores, que serão submetidos ao processo de averiguação do seu nível de maturidade considerando as premissas ESG (Ambiental, Social e Governança).

O diagnóstico é apresentado então ao cliente, que poderá mitigar riscos. Desta forma, decisões que eram pautadas exclusivamente em custo, prazo e qualidade, passam a incorporar o risco climático e a conformidade social como variáveis de solvência financeira.

“Na Gedanken, vemos que a transição para uma economia de baixo carbono exige a quebra dessa ‘caixa-preta’. Ou a empresa tem monitoramento contínuo de dados, ou ela está apenas torcendo para que nenhum escândalo ambiental, social,ou trabalhista suba à superfície.”
Lucas Madureira, Gedanken


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