A capacidade de filtração da água por algas está sendo objeto de experimento de estudantes pesquisadores dos cursos de Oceanografia e Ciências Biológicas junto ao Laboratório de Ficologia (LAFIC), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O cenário é o Parque do Córrego Grande, em Florianópolis (SC), cujo lago traz um caso típico de eutrofização, processo que impacta na diminuição da sua biodiversidade, com a perda de espécies.
Para recuperar esse tipo de ecossistema, a pesquisa trata da sucessão biológica e remoção do excesso de nutrientes da água pelas algas. O modelo utilizado é o sistema de engenharia ecológica denominado Algal Turf Scrubber (ATS), ou Tapete Algal Biofiltrante, que explora o metabolismo de algas filamentosas aderidas a um substrato para purificar água contaminada.
Ou seja, a biorremediação com algas aponta que é possível recuperar áreas degradadas usando soluções da própria natureza. O sistema é constituído por rampas contendo telas que favorecem a fixação de algas, por onde são bombeadas as águas residuárias contendo poluentes ou contaminantes, retornando em seguida uma água de melhor qualidade ao corpo hídrico por gravidade.
Monitoramento por 6 meses
Com os objetivos de verificar a sucessão natural de algas no ATS e compará-la com a do lago, além de avaliar a capacidade das algas em remover nutrientes poluidores após a maturação, o sistema e o lago foram monitorados semanalmente durante seis meses. Neste período, foram observadas a composição de algas e variáveis físico-químicas. Após a maturação do ATS, um experimento de curto prazo foi realizado para testar a capacidade de remoção de nutrientes.
Os resultados mostraram que a composição de algas no ATS é bastante diferente da presente no lago. Algumas algas nativas atuam como precursoras de algas filamentosas, produzindo biofilmes para sua fixação. Novas amostras foram coletadas (14/05) e passarão por análises nos laboratorios da UFSC.
Também foram feitas medições em campo pela equipe, liderada pelo professor Leonardo Rörig e a acadêmica de oceanografia Christine Abreu de Oliveira. Segundo dos idealizadores, foi fundamental o envolvimento de muitos estudantes em todas as etapas do experimento. Christine destaca a participação dos pesquisadores Luana de Azevedo Aimi e de Paul Roldan Olarte, doutorandos da UFSC em Engenharia Sanitária e de Biotecnologia, respectivamente.




