- Relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU) mostra que diversos sistemas de água no planeta já não conseguem retornar aos níveis históricos de disponibilidade;
- Há a necessidade de soluções estruturais como reuso de água, proteger e restaurar rios e aquíferos, adotar gestão de longo prazo baseada em limites reais de disponibilidade;
- Imagem: Global_Water_Bankruptcy_Report
Um novo relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU), por meio do seu Institute for Water, Environment and Health (UNU-INWEH), afirma que o planeta entrou em uma era de falência hídrica global, na qual diversos sistemas de água já não conseguem retornar aos níveis históricos de disponibilidade. Esse cenário reforça a necessidade de soluções estruturais como o reuso de água para garantir segurança hídrica.
No estudo Global Water Bankruptcy: Living Beyond Our Hydrological Means in the Post-Crisis Era, a UNU-INWEH afirma que “o mundo ultrapassou uma crise hídrica e entrou em um estado de falência hídrica global”. O documento indica que a escassez deixou de ser um evento pontual para se tornar uma condição estrutural em várias regiões.
O estudo afirma que “as sociedades retiraram mais água do que o clima e a hidrologia podem fornecer de forma confiável” e alerta que, “em grande parte do mundo, o ‘normal’ deixou de existir”. Segundo os pesquisadores, os sistemas hídricos poderão não retornar aos seus patamares históricos.
Diante desse cenário, o relatório defende três movimentos estruturais: reduzir e reequilibrar a demanda em setores intensivos em água, proteger e buscar restaurar o capital natural hídrico – como rios, aquíferos e áreas úmidas — e abandonar a lógica de gestão de crises pontuais para adotar uma gestão de longo prazo baseada em limites reais de disponibilidade.
Menos pressão sobre fontes naturais
Embora o relatório não mencione tecnologias específicas, ele defende uma reorganização estrutural dos sistemas de uso da água e a redução da pressão sobre fontes naturais, que por sua vez devem ser protegidas e até restauradas.
É justamente nesse ponto que soluções como o reuso ganham relevância prática. Ao utilizarmos a água reciclada em processos industriais e irrigação agrícola, é possível reduzir a pressão sobre mananciais estratégicos, preservar reservas naturais e reorganizar o uso do recurso dentro de uma lógica mais circular.

Da mesma forma utilizar água reciclada de alta qualidade na recarga de mananciais e aquíferos, pode promover a adaptação necessária de cidades ou regiões aos novos ciclos hidrológicos e garantir a segurança hídrica para todos os fins, inclusive o abastecimento público, como já é praticado em países como Namíbia, África do Sul, Cingapura, Estados Unidos e Espanha.
“O estudo da Universidade das Nações Unidas mostra que a escassez não é mais um evento isolado, mas uma tendência estrutural. Soluções como a reciclagem devem ser incorporadas à infraestrutura básica de saneamento como parte essencial da segurança hídrica das cidades, da indústria e da agricultura.”
Márcio José, CEO da Aquapolo Ambiental
A Aquapolo Ambiental é o maior empreendimento de água reciclada voltado à indústria no Brasil, operando há 13 anos e garantindo a segurança hídrica para importantes clientes industriais na região do ABC Paulista. A tecnologia permite substituir parte da demanda por água potável em processos produtivos, aliviando a pressão sobre mananciais.
Com uma capacidade de produção de até 1m³ por segundo – uma das maiores no mundo, a Aquapolo mostra que é possível transformar o que antes era descartado em um insumo estratégico. O projeto evita o consumo de até 10 bilhões de litros de água potável por ano, ajudando a preservar represas e rios e tornando a região mais resiliente às mudanças climáticas.
A íntegra do relatório da UNU pode ser conferida por meio do link: https://collections.unu.edu/eserv/UNU:10445/Global_Water_Bankruptcy_Report__2026_.pdf

