A presença da modelo e empresária brasileira Thayná Soares na 79ª edição do Festival de Cinema de Cannes atraiu os holofotes globais ao vestir uma peça exclusiva de sua própria grife, a Thayná Caiçar. O vestido une o luxo europeu à valorização cultural e social das comunidades litorâneas do Rio de Janeiro.
Considerado o evento mais prestigiado do cinema mundial, o Festival de Cannes acontece anualmente na Riviera Francesa. Além de consagrar as principais produções cinematográficas do ano com a cobiçada Palma de Ouro, o festival funciona como uma vitrine de moda.
O tapete vermelho do Palais des Festivals é historicamente dominado pelas tradicionais e centenárias grifes de alta-costura europeias. Por isso, uma marca independente e com forte apelo artesanal brasileiro em um evento dessa magnitude representa um marco de reconhecimento.
Semelhanças entre a alta-costura e os saberes das caiçaras
Thayná Soares nasceu e foi criada em uma comunidade tradicional em Paraty (RJ). Foi assistente social e chegou a atuar na Guarda Municipal de sua cidade natal. Aos 26 anos, iniciou sua carreira como modelo na Europa.
Desfilando nas passarelas de Paris para marcas lendárias como Givenchy, Armani, Hermès e Alaïa, Thayná começou a observar os bastidores e percebeu que as técnicas minuciosas exaltadas pela alta-costura europeia apresentavam semelhanças com os saberes tradicionais das mulheres caiçaras.
A marca Thayná Caiçara
A grife nasceu em 2020, no auge da pandemia, com o objetivo de valorizar o trabalho manual de artesãs brasileiras, oferecendo remuneração justa e resgatando a herança cultural local. Operando sob o conceito de slow fashion (produção desacelerada e consciente), a marca traz uma modelagem atemporal e elegante, utilizando como base matérias-primas nobres, como o linho belga.
Thayná assumiu o design das coleções a partir de sua bagagem prática em desfiles internacionais. O sucesso foi meteórico: após estrear em colaborações de upcycling na Semana de Alta-Costura de Paris, a marca realizou seu primeiro desfile solo na capital francesa no início de 2026 com a coleção “Minhas Paixões
O vestido e os bordados do tapete vermelho

O modelo exibido por Thayná Soares em Cannes foi confeccionado em linho branco estruturado e esta superfície serviu como uma verdadeira tela em branco para exaltar a técnica da Pintura de Agulha. Trata-se de um tipo de bordado livre que sobrepõe nuances de fios para criar um efeito realista, semelhante ao de uma tela pintada à mão.
- Produção Coletiva e Social: O grande diferencial da peça foi o seu processo de criação. Em uma parceria com a Casa da Cultura de Paraty, o vestido foi bordado artesanalmente por um coletivo de 17 artesãs caiçaras da região. O trabalho minucioso exigiu dezenas de horas dedicadas pelas mulheres locais.
- A Fauna e Flora da Mata Atlântica: O design do bordado levou para a Riviera Francesa imagens realistas de elementos da biodiversidade brasileira, com destaque para pássaros e plantas nativas da Mata Atlântica, em cores vibrantes que contrastavam com o fundo minimalista de linho.
“Eu não quero ser a protagonista desse momento. As protagonistas são essas mulheres que estão começando a empreender agora no nosso projeto. O que está sendo costurado ali vai muito além do tecido. É a reconstrução pessoal através da arte”.
Thayná Soares
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