Existe uma granola com a energia e a alegria da Bahia

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Há muitos tipos de granola, mas nenhuma como a da Tia Sônia, que incrementou a receita com um toque baiano lá por volta de 1995. A ideia surgiu…

Há muitos tipos de granola, mas nenhuma como a da Tia Sônia, que incrementou a receita com um toque baiano lá por volta de 1995. A ideia surgiu quando Marcos Fenício foi para Machu Picchu e sua mãe preparou a especiaria para ele levar. O sucesso entre os colegas de viagem foi tanto, que Fenício decidiu produzir a receita para vender e atender os pedidos, assim que voltou para a Bahia. Com 30 anos, pegou R$ 40 emprestado (R$ 400 em valores atualizados), comprou os ingredientes e produziu 15 kg. Este foi o primeiro lote, identificado com rótulo produzido e impresso no computador 386.

Após 30 anos, a granola Tia Sônia está consolidada, com 17 variações que incluem versões premium, super premium, zero adição de açúcar e diferentes combinações de sabores. Oferece um ecossistema de marcas nos segmentos de barras de nuts e frutas, snacks, cookies, suplementos, alimentos integrais e de cerais com a “Minha Tia”. Além disso, atua com suplementação com a Ultra B. oferece cafés especiais com valorização da produção local.

A empresa aterrisa na capital paulista com um espaço físico acolhedor na Vila Nova Conceição, bairro da zona sul. A Casa Tia Sônia tem aquele calor humano baiano, produtos naturais da marca e de parceiros, como o café Comunidade, da Colheita das Alegrias, feito na região de Vitória da Conquista (BA).

A história da empresa é gostosa de ouvir. O CEO Marcos Fenício conta a evolução com sotaque e brilho nos olhos, mostrando que não perdeu sua essência. Vale contar aqui o bate-papo que o ViaVerde News teve na Naturaltech 2026 com o engenheiro agronômo formado pela Universidade Federal da Bahia em 1992, com especialização em Agricultura Biodinâmica em Botucatu (SP), numa época em que agricultura alternativa ainda era incipiente.

Havia consumidor de granola há 30 anos no Brasil? Qual era o perfil?

Marcos Fenício: Por volta de 1996, comecei a produzir a granola utilizando a receita da minha mãe, a Tia Sônia. Minha proposta de vida era ser alternativo, gostava de alimentação natural, mas era um nicho. Aconteceu uma mudança no perfil do consumidor quando o programa de TV Malhação, que fazia sucesso na época, começou a trazer cenas com personagens que praticavam jiu-jitsu e surf comendo açaí com granola. Neste momento, o público consumidor se ampliou para além dos alternativos e atingiu a classe média.

Hoje produzimos 300 toneladas de granola por mês em Vitória da Conquista (BA), somos vice-líderes em volume de venda no país. Além disso, temos outros 80 itens, incluindo cereais, cafés e suplementos.

Você seguia o conceito de ser “alternativo” e se tornou um grande empresário. Agora você se assume como capitalista?

Marcos Fenício: Sigo a linha do capitalismo consciente, em que as empresas devem ser humanizadas. A escola HSM dissemina este conceito, além de haver outras instituições internacionais que também acompanho.

Na prática, como esse conceito impacta no seu negócio?

Marcos Fenício: Há certificações que indicam o cumprimento das premissas. Conquistamos o Selo B (certificação internacional que reconhece negócios que equilbram lucro com propósito sócioambiental). Na prática, há iniciativas como a compra de insumos de produtores locais. Na produção da granola, por exemplo, a rapadura é produzida por 120 fornecedores familiares regionais, enquanto a tapioca é adquirida de cinco famílias.

Temos também o selo orgânico em nossos produtos, como nos cafés produzidos na Fazenda Vitória da Conquista. Criamos na região a Associação das Alegrias, que congrega hoje 280 pessoas e está crescendo.

Quais são as iniciativas da Associação das Alegrias?

Marcos Fenício: Por volta de 2019, fizemos um senso para verificar quais as prioridades das pessoas que moram na região da Fazenda Alegria, onde produzimos café. Verificamos a necessidade de educação e construímos então um espaço que funciona no período da manhã como creche, à tarde com reforço escolar e, à noite, para alfabetização de adultos. O projeto é reconhecido pela Fundação Abrinq com o Selo Amigo da Criança.

O espaço ficou fechado na pandemia e, logo após a retomada, vimos que as crianças do 3º e da 4º série ainda não sabiam ler. Dedicimos então “apadrinhar” duas escolas municipais, reforçando a estrutura com quadra esportiva, computador e o que mais for urgente, de acordo com o que nos é trazido. Agora as crianças da 2ª série já sabem ler.

Como é a produção de café na Fazenda Alegria?

Marcos Fenício: Marcos Fenício: Na Fazenda Alegria, localizada em Barra do Choça, Povoado das Alegrias, na Microrregião do Planalto de Vitória da Conquista (BA), desenvolvemos na Associação das Alegrias a Escola do Café, que atua na capacitação dos pequenos produtores, iniciativa que resultou na criação do Café Comunidade, com foco em valorização territorial e desenvolvimento sustentável. Os cafés são certificados pelo IBD (Instituto Biodinâmico, que agora se chama QIMA), principal selo brasileiro de produtos orgânicos e sustentáveis.

Vocês comercializam pela internet e abriram agora a Casa Tia Sônia em São Paulo. Por que esta opção pelo offline como canal de vendas?

Marcos Fenício: Nossa proposta é promover uma mudança no padrão de consumo, pensando em saudabilidade, sabor, hospitalidade, conexão afetiva como se o alimento fosse feito pela mãe, de forma artesanal. A casa funciona como uma forma de aproximação com parceiros, consumidores, clientes, dentro da nossa estratégia de expansão nacional.


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