Projeto trata águas contaminadas no MS

  • Iniciativa com tecnologia de eletrodiálise reversa (EDR) desenvolvida pela Engeper Ambiental, está em teste nas cidades de Juti, Guias Lopes, Bonito e Albuquerque, no Mato Grosso do Sul.
  • Sistema de potencial de recuperar até 80% do volume tratado e é direcionado para águas com altos teores de sais como fluor, cromo, cloreto e sulfato.
  • Imagem: Divulgação Engeper

Quatro cidades brasileiras estão testando modelos de adequação de qualidade de água para abastecimento público dentro da portaria 888/21. O projeto piloto da empresa Engeper que está sendo aplicado em Juti, Guia Lopes, Bonito e Albuquerque, todas no Mato Grosso do Sul, permite tratar águas subterrâneas com altos teores de sais, especialmente flúor, cromo, cloreto e sulfato, e recuperar até 80% da água, oferecendo um modelo eficiente para ampliar a segurança hídrica municipal.

Segundo Lorena Zapata, diretora de sustentabilidade e novos negócios da Engeper, a operação itinerante permite testar e ajustar o modelo antes da expansão e contratação do equipamento final, considerando os desafios específicos de cada município.

A segurança hídrica vem se tornando prioridade no Brasil. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) indicam que mais de 1.400 municípios enfrentaram algum nível de restrição hídrica nos últimos anos, enquanto a Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que as perdas nos sistemas de distribuição ainda ultrapassam 36%, aumentando desperdícios e custos operacionais.

Além disso, eventos climáticos extremos se intensificam: o IPCC alerta que a América do Sul está entre as regiões mais vulneráveis a secas e ondas de calor prolongadas, reforçando a urgência de soluções como a eletrodiálise reversa.

Como funciona

A iniciativa utiliza um contêiner móvel equipado com tecnologia própria de eletrodiálise reversa (EDR), com vazão de 5 m³/h. O sistema eletroquímico reduz sais e a condutividade elétrica da água utilizando membranas seletivas aniônicas e catiônicas entre eletrodos de polaridades alternadas, sem necessidade de produtos químicos contínuos.

Entre suas vantagens estão a alta taxa de recuperação de água, baixo consumo energético e manutenção simplificada, com autolimpeza por reversão de polaridade e inspeções periódicas. O rejeito corresponde a apenas 5% do volume tratado em água e 15% em efluentes, significativamente abaixo dos índices da osmose reversa, o que reforça sua eficiência para contextos municipais críticos.

A Sanesul teve a iniciativa de avaliar a performance da EDR e definir o dimensionamento ideal em cada poço, garantindo água potável para a população e fornecimento seguro para indústrias locais.

A Engeper vem se consolidando como única fabricante funcional de EDR no Brasil, com projetos operando por até sete anos sem substituição de membranas. A empresa tem mais de 25 anos de atuação e defende que soluções nacionais de reuso e gestão integrada serão decisivas para garantir abastecimento seguro e eficiente, preparando municípios para cenários climáticos cada vez mais desafiadores.

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