- 83% da safra de algodão brasileira de 2024/2025 é certificada segundo padrões internacionais de produção responsável, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa);
- Além da certificação Better Cotton Iniciative (BCI), cadeia têxtil nacional dispõe do programa SouBR, tecnologia blockchain para rastreamento da cadeia do algodão e verificar cada etapa da produção têxtil, desde a produção de uma fibra até sua confecção em vestimenta.
- Imagem: Divulgação Incofios
O setor têxtil brasileiro está avançando para reduzir seu impacto no meio ambiente no quesito algodão. Na safra 2024/2025, 83% do algodão produzido no país teve a certificação Better Cotton Initiative (BCI), o que significa cultivo baseado em princípios de sustentabilidade, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA). Desta forma, o Brasil é atualmente o maior fornecedor de algodão responsável do mundo.
O processo de melhorias da produção de algodão no Brasil vem sendo promovido pela Abrapa há mais de dez anos. Em 2012, foi lançado o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), no qual produtores se comprometem com as melhores práticas em três pilares: ambiental, social e econômico.
As ações para a evolução da cadeia produtiva foram além. Em 2021, a ABR lançou o SouABR, um programa inovador que oferece a rastreabilidade de peças de algodão por meio da tecnologia blockchain. O sistema possibilita ao consumidor acompanhar toda a trajetória do algodão por meio do QR Code na etiqueta do produto, desde o plantio até o produto final.
A tecnologia blockchain compreende a conexão de diversos blocos de informações em sequência, como uma corrente, na qual todas as transações realizadas entre as partes ficam registradas. Assim, o histórico de transações pode ser facilmente rastreado. Cada bloco recebe um ID único e, em seguida, suas informações são agregadas ao novo bloco. As transação são gravadas com data e horário, conectadas entre si em ordem cronológicas e, uma vez adicionadas, tornam-se irreversíveis (NETO, Helmuth).
Parceria BCI
O programa ABR é bastante rígido e alguns critérios dos seus protocolos são similares aos adotados pela Better Cotton Initiative, organização responsável pelo maior programa de sustentabilidade do algodão em escala global. Criada em 2005 em Genebra (Suíça), a organização tem como missão estimular a adoção de práticas sustentáveis no cultivo do algodão ao redor do mundo.
Em 2013, foi firmada a parceria e, desde então, agricultores brasileiros certificados pelo protocolo ABR tornam-se automaticamente aptos a obter a certificação global Better Cotton Initiative (BCI). A parceria da Abrapa foi agora renovada com a BCI até 2028.
Quais são os critérios da certificação BCI
A rastreabilidade torna visível a cadeia produtiva e, desta forma, expõe suas etapas para assegurar que o algodão colhido venha de uma safra mais sustentável. A certificação BCI exige critérios e protocolos baseados em seis princípios:
- Gestão de Sistemas, as famílias produtoras de algodão têm uma agricultura integrada forte sistemas de gestão implementados para garantir impactos de sustentabilidade em nível de campo;
- Recursos Naturais, As comunidades produtoras de algodão promovem práticas regenerativas, aumentam a biodiversidade e usam a terra e a água de forma responsável;
- Proteção de Colheita, comunidades produtoras de algodão minimizam o impacto nocivo da proteção de cultivos práticas;
- Qualidade da Fibra, as comunidades produtoras de algodão cuidam e preservam a qualidade da fibra;
- Trabalho decente, comunidades produtoras de algodão promovem trabalho decente;
- Meios de subsistência sustentáveis, comunidades produtoras de algodão têm meios de subsistência mais sustentáveis e resilientes.
Suas duas prioridades transversais são:
- Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, comunidades produtoras de algodão criam resiliência aos efeitos das mudanças climáticas e apoiam a mitigação dos impactos da agricultura no clima;
- Igualdade de Gênero, as comunidades produtoras de algodão trabalham para uma maior igualdade de gênero.
Conheça marcas certificadas
A Incofios é especializada na produção de fios 100% algodão e é certificada pelo através dos programas SouABR e Better Cotton Initiative (BCI). Fundada em 2001, com sede em Indaial, região têxtil do Vale do Itajaí (SC), a empresa Iniciou sua jornada com o BCI em 2017 e avançou para o SouABR em 2021, uma certificação mais exigente. Em 2024, a Incofios reciclou 98% dos resíduos gerados e segue avançando em iniciativas de economia circular, logística reversa e eficiência ambiental.
“Optar pelo algodão certificado reflete nosso compromisso em conectar nossos produtos a práticas responsáveis no campo. Isso fortalece nossa base ESG e entrega aos nossos clientes mais do que um produto, mas um compromisso socioambiental real”
Supervisor de qualidade da Incofios, Olívio Vieira da Silva Neto.
Na tecelagem de malha circular, um destaque é a Metatex, uma indústria têxtil brasileira fundada em 1987 na Moóca, em São Paulo (SP). A malharia é produzida 100% em São Paulo e há opções de composição com algodão certificado pela BCI, além de algodão desfibrado. A Metatex também comercializa seus tecidos para indústrias e confecções, na venda por atacado.
A empresa brasileira G.Vallone têxtil produz tecidos a partir de matérias-primas e com processos ecologicamente responsáveis. Além da certificação BCI para o algodão, atua com o Amni Soul Eco® (fio de poliamida biodegradável), fibras de viscose Ecovero™, fibras Lenzing Modal, entre outros. Os tecidos são comercializados para atacado e varejo e a G.Vallone realiza logística reversa de retalhos para reaproveitamento têxtil.
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