Pará recebe R$ 18 mi para recuperar floresta

  • Fundo Flora anuncia as 10 organizações e empreendimentos que receberão os recursos para ações de restauração no Estado, fruto da parceria entre WRI Brasil e Sitawi Finanças do Bem.
  • Juntos, os projetos selecionados vão criar mais de 210 empregos e beneficiarão mais de 4.000 pessoas.
  • Foto: Divulgação

Para o empreendedor Gilberto Nobumasa, a preservação da floresta amazônica é algo intrínseco ao seu negócio. Nobumasa está à frente da FortParaOil, uma agroindústria produtora de óleos e manteigas extraídos a partir de frutos da floresta. O empreendimento impacta mais de duas dezenas de pequenos produtores rurais e famílias ribeirinhas que atuam na coleta e produção de castanhas, frutos, óleos e manteigas.

A FortParaOil está localizada no município de Acará, no Pará, cerca de 80 km de barco da capital Belém, e sua cadeia coletora e produtora de frutos amazônicos se estende por muitas outras cidades da região. O empreendimento está entre os 10 projetos que desenvolvem ações de restauração e apoiam a cadeia da bioeconomia da região da floresta amazônica paraense, selecionadas pelo Fundo Flora para receber investimentos e financiamentos.

O Fundo Flora acaba de anunciar oficialmente a primeira turma de organizações e empreendimentos apoiados. Juntos, os selecionados criarão mais de 210 empregos e beneficiarão mais de 4.000 pessoas. A iniciativa é do WRI Brasil e do World Resources Institute, com gestão financeira da Sitawi Finanças do Bem. Segundo o empreendedor regional Nobumasi, o projeto é importante não apenas pelo aspecto financeiro, mas também pelo apoio à capacitação no processo de preservação da floresta, além de fortalecer os conceitos de cooperação e bioeconomia.

“O projeto Fundo Flora é uma importante parceria, porque vai potencializar e fortalecer o trabalho que já fazemos junto às comunidades para preservação da floresta.”
Gilberto Nobumasa, empreendedor da FortParaOil

Mário Zanelato, diretor-presidente da CCampo, uma cooperativa agroindustrial que trabalha na produção de hortifrutis, derivados de mandioca e frutas e polpas, acredita que a parceria com o Fundo Flora vai possibilitar a diversificação nas formas de cultivo.

“Vamos restaurar 15 hectares de floresta integradas à produção de açaí e cupuaçu, que são frutas nativas da floresta, além de enriquecer com outras variedades e agregar mais produtores à cooperativa. Não conseguiríamos fazer isso sem o apoio e capacitação do Fundo Flora.”
Mario Zanelato, diretor-presidente da CCampo

Restauração em escala

O Fundo Flora oferecerá, nesta primeira chamada, R$ 18 milhões. As organizações selecionadas vão gerar impacto real: eles restaurarão mais de 1.500 hectares, regenerarão mais de 1 milhão de árvores. A proposta é garantir escala na restauração da floresta amazônica por meio de doações e financiamento acessível a organizações de base, que atuam na região de forma sustentável e que geram emprego.

“Nosso objetivo é ampliar o acesso a financiamento climático e criar condições para uma restauração em escala que fortaleça uma economia sustentável na Amazônia.”
Eduarda Thurler, gerente de Economia e Finanças da Natureza no WRI Brasil.

Entre as organizações apoiadas, 60% estão envolvidas em cadeias de valor da bioeconomia, agregando valor de várias culturas arbóreas regionais, incluindo castanha-do-pará, açaí, cacau, andiroba e cupuaçu, ao mesmo tempo que fortalecem cadeias de valor complementares, como as de sementes nativas.

Combinando doações e empréstimos

O Fundo Flora adota a estratégia de blended finance, combinando doações, empréstimos flexíveis e modalidade híbrida (empréstimo + doação) para financiar os projetos. O recurso está vinculado a resultados socioambientais verificáveis, como hectares restaurados, empregos gerados e fortalecimento de cadeias produtivas.

De acordo com Ana Beatriz Villela, coordenadora sênior de Investimento de Impacto da Sitawi Finanças do Bem, a combinação de diferentes tipos de capital possibilita ampliar o impacto de projetos socioambientais.

“No Fundo Flora, usamos diferentes instrumentos de financiamento — da doação aos empréstimos, incluindo investimentos híbridos — para criar soluções sob medida para cada projeto, respeitando sua capacidade de gestão financeira e de implementação. Essa inovação financeira é essencial para viabilizar uma nova economia baseada na floresta em pé”
Ana Beatriz Villela, coordenadora sênior de Investimento de Impacto da Sitawi Finanças do Bem

O monitoramento de cada projeto será realizado, ao longo de seis anos, por meio da plataforma TerraMatch, e garantirá o acompanhamento e a transparência por meio de dados do campo e do sensoriamento remoto por satélite. Essa abordagem traz credibilidade para o setor de restauração e aprendizado contínuo para as organizações, que aumentam sua capacidade de implementação e captação futura. 

Conheça os projetos selecionados

FortParaOil – Acará – A FortParaOil é uma agroindústria amazônica que atua na extração de óleos e manteigas de sementes nativas. Promove a inclusão produtiva e o empoderamento das comunidades, combinando geração de renda com regeneração ambiental. Opera com comércio justo, rastreabilidade e inovação para os setores de cosméticos e alimentos. Terá com meta restaurar 305 hectares de áreas degradadas por meio da regeneração natural assistida (RNA) e sistemas agroflorestais (SAF), envolvendo 20 famílias. O projeto inclui ampliação da estrutura industrial para processamento de óleos vegetais e fortalecimento da cadeia produtiva local, integrando regeneração ambiental e geração de renda.

Centro de Formação produção e Artes da Amazônia Conduru – Marabá – O Centro CONDURU e uma associação civil sem fins lucrativos criada em 2016 por jovens de área de Assentamentos e Acampamentos da região Sul e Sudeste do Estado do Pará. Tem como objetivos potencializar a formação para produção de conhecimento na área da pesquisa, cultura, educação, artes, agroecologia e produção de alimentos. O Centro CONDURO terá como meta restaurar 40 hectares de terras, consolidar viveiros comunitários e fortalecer a cadeia de restauração com foco em mulheres e juventude rural, aliando formação agroecológica e inclusão social.

IFT – Instituto Floresta Tropical Johan Zweede – Bragança, Cachoeira do Piriá e Oeiras do Pará – Com três décadas de atuação na Amazônia, o IFT que atua na formação em técnicas de manejo florestal de impacto reduzido (MF-EIR) e atende diversos públicos, entre eles trabalhadores da indústria madeireira, comunidades, produtores rurais familiares, estudantes de escolas técnicas e universidades. O IFT terá como meta promover a restauração de 60 hectares, incluindo para recuperação de áreas afetadas por incêndios florestais. A proposta integra capacitação técnica, manejo sustentável e fortalecimento das três cooperativas parceiras no projeto, que representam agricultores familiares e quilombolas. 

Associação Brasil Popular – Abrapo – 7 municípios do Pará – A Abrapo atua, entre outras áreas, nos temas ligados aos direitos humanos, liberdade de expressão, cultura e arte, estabelecimento da equidade de gênero,desenvolvimento de políticas públicas e privadas nas áreas carentes do meio rural e urbano, além de estimular e promover pesquisas na área de cultura popular, meio ambiente e juventude. Terá como meta implementar 1.000 hectares por meio da regeneração natural assistida (RNA), estruturando 2 núcleos de fornecimento de sementes e 6 áreas de coleta para abastecer 18 viveiros. A iniciativa combina restauração em escala com fortalecimento comunitário e formação em gestão e associativismo.

Cooperativa Agrícola de Produtores do Oeste do Pará – CCAMPO – Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos – Cooperativa agrícola de produtores do oeste do Pará, que trabalha na produção de hortifrutis, derivados de mandioca e frutas e polpas. Tem como propósito o fortalecer da agricultura familiar e levar produtos regionais com e segurança para mesa dos consumidores. A CCAMPO terá como meta implantar 15 hectares de sistemas agroflorestais (SAF), focados na cadeia do açaí, cupuaçu, como projeto piloto replicável, promovendo diversificação produtiva, geração de renda e permanência da juventude no campo por meio da criação de novos empregos.

Cooperativa Agroindustrial Frutos da Amazônia – COAFRA – Castanhal – A COAFRA nasceu em Castanhal (PA) e tem com o propósito de fortalecer a produção rural e gerar prosperidade sustentável na Amazônia Paraense. Atua na valorização do agricultor, promove a mecanização agrícola, incentiva o beneficiamento local e impulsiona o desenvolvimento de comunidades rurais por meio da geração de renda capacitação técnica e sustentabilidade ambiental. A COAFRA terá com meta implementar 15 hectares de sistemas agroflorestais (SAF), além de estabelecer um viveiro comunitário em parceria com uma escola local. A proposta inclui capacitação de jovens e mulheres em técnicas de produção de mudas, manejo agroflorestal e empreendedorismo.

Verde Novo – Irituia – A Verde Nova é uma organização que atua no fortalecimento de coletores de sementes nativas impulsionando a restauração ecológica a um nível sistêmico. Terá como meta restaurar 40 hectares por meio da regeneração natural assistida (RNA) e plantio direto, engajando cooperativas locais como foco nas mulheres. O projeto ainda apoiará a estruturação de uma rede comunitária de coletoras de sementes, fortalecendo o fornecimento de insumos para a restauração e a geração de renda para lideranças femininas.

Tribo Superfoods – Igarapé-Miri – A Tribo Superfoods é uma foodtech que combina inovação e saberes da floresta para oferecer bioingredientes únicos, gerar impacto nas comunidades tradicionais e preservar a floresta em pé. Atua na produção de diversos produtos a partir do açaí e cupuaçu. A empresa terá como meta implantar 16 hectares para recuperar áreas degradadas (RNA) por monocultura de açaí, promovendo diversificação produtiva com cacau, cupuaçu, castanha e outras espécies nativas, conectando restauração e mercado consumidor.

Zeno Nativo – Acará – A Zeno Natural, produz e comercializa castanhas-do-brasil e cacau fino, promovendo a conservação e regeneração da floresta amazônica e a geração de renda justa para as comunidades do Rio Acará, no Pará. Terá como meta implementar 30 hectares de Sistema Agroflorestal (SAF) e 50 hectares de regeneração natural assistida (RNA), estruturando o projeto em fases participativas do diagnóstico à implantação e manejo, fortalecendo a cadeia da castanha-do-Pará e do cacau fino com rastreabilidade e geração de renda justa.

Florestas Engenharia – Parauapebas – Empresa com atuação em implantação e gestão de projetos de reflorestamento na região de Parauapebas. Com foco em transformar paisagens degradadas em sistemas produtivos sustentáveis. Terá como meta a implantação de um viveiro modular com capacidade inicial de 500 mil mudas por ciclo e potencial de produção de até 4 milhões de mudas por ano até 2030.

Sobre o Fundo Flora: O Fundo Flora é uma iniciativa do WRI Brasil com gestão financeira da Sitawi Finanças do Bem que conecta financiamento, capacitação e monitoramento a projetos de restauração liderados por Povos Indígenas e Comunidades Locais na Amazônia brasileira. Inspirado na iniciativa TerraFund for AFR100, o fundo apoia organizações comunitárias, cooperativas e empreendimentos locais com doações e empréstimos flexíveis, além de acompanhamento técnico e monitoramento de impacto por meio da plataforma TerraMatch. O fundo conta com o apoio financeiro do Bezos Earth Fund, da AKO Foundation e da The Coca‑Cola Foundation.

Sobre o WRI Brasil: O WRI Brasil trabalha para melhorar a vida das pessoas, proteger e restaurar a natureza e estabilizar o clima. Como uma organização de pesquisa independente, utilizamos nossos dados, expertise e alcance global para influenciar políticas públicas e catalisar mudanças em sistemas como alimentos, uso da terra e água; energia; e cidades. O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI). Fundado em 1982, o WRI conta com mais de 2.000 colaboradores que trabalham em mais de uma dúzia de países-chave e com parceiros em mais de 50 nações.

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