Cidades recorrem à natureza para adaptação climática

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Cidades, estados e regiões de todo o mundo estão combatendo cada vez mais as mudanças climáticas e as perdas da natureza de forma conjunta, demonstrando que as soluções…

Cidades, estados e regiões de todo o mundo estão combatendo cada vez mais as mudanças climáticas e as perdas da natureza de forma conjunta, demonstrando que as soluções baseadas na natureza estão se tornando parte integrante da adaptação climática local. É o que aponta a nova análise do CDP, a principal plataforma global de divulgação ambiental, com base nos dados relatados por governos subnacionais no CDP-ICLEI Track e no Questionário de Estados e Regiões do CDP.

Os impactos das mudanças climáticas estão se intensificando rapidamente, exercendo uma pressão sem precedentes sobre a infraestrutura, a economia e as comunidades locais. Neste ano já ocorreu desde a quebra rotineira de recordes de temperatura até os piores incêndios florestais da história de diversos países europeus, passando por níveis excepcionalmente baixos de água no Reino Unido e enchentes extremas na Índia.

O relatório Nature for People and Places (Natureza para Pessoas e Lugares) analisa os dados divulgados em 2025 por 1.005 cidades, estados e regiões em 80 países e em todos os continentes, representando 1,32 bilhão de pessoas. O estudo revela que 55% das cidades, estados e regiões já estão implementando ao menos uma solução baseada na naturezam como restauração ecológica, construção de infraestrutura verde ou florestamento, enquanto 70% dos governos subnacionais com metas de adaptação climática priorizam soluções baseadas na natureza.

Calor, estresse térmico e inundações

O estudo mostra que o calor extremo, o estresse térmico, as inundações urbanas e as chuvas intensas foram os principais riscos climáticos enfrentados pelos governos subnacionais. Aqueles que adotam soluções baseadas na natureza estão, simultaneamente, protegendo as comunidades contra esses riscos, fortalecendo a biodiversidade e melhorando a saúde pública.

As soluções variam de acordo com a região e os riscos enfrentados pelos ecossistemas locais. Os governos locais na América Latina e na África focam na restauração ecológica; na Europa e na América do Norte, priorizam mais a infraestrutura verde; enquanto no Sudeste Asiático, na Índia e no Japão, dá-se maior ênfase ao florestamento e ao reflorestamento.

Essa abordagem baseada na natureza para enfrentar os riscos climáticos também está melhorando a saúde da população. 65% dos governos subnacionais identificam pelo menos um cobenefício para a saúde pública — como a melhoria da qualidade do ar, o ganho na saúde física e mental ou a redução dos impactos de eventos climáticos extremos.

Essas ações estão gerando um impacto positivo nas principais preocupações de saúde apontadas pelos governos subnacionais (doenças cardíacas, infecções e doenças transmitidas por vetores e doenças respiratórias), especialmente para as populações mais vulneráveis (identificadas como idosos, grupos de saúde vulneráveis e crianças).

No entanto, existe uma lacuna substancial de financiamento para a realização de projetos de adaptação climática, com quase metade das cidades, estados e regiões (46%) relatando que restrições orçamentárias representam um obstáculo. Em 2025, os governos subnacionais buscaram US$ 33,51 bilhões para projetos de adaptação, sendo US$ 2,85 bilhões necessários exclusivamente para projetos voltados à natureza.

“As mudanças climáticas e a perda da natureza não são problemas isolados. À medida que os impactos climáticos se intensificam, ecossistemas danificados e degradados deixam as comunidades ainda mais vulneráveis. Cidades, estados e regiões reconhecem cada vez mais que proteger a natureza e combater as mudanças climáticas são duas faces da mesma moeda.
Katie Walsh, Diretora Global para Cidades, Estados e Regiões do CDP

Exemplos de soluções baseadas na natureza adotadas por governos subnacionais:

  • A Operação Urbana Consorciada Nova Ipiranga, na cidade de Porto Alegre (Brasil), é um plano de R$ 1,8 bilhão (US$ 332 milhões) para revitalizar a bacia do Arroio Dilúvio em 1.624 hectares e 16 bairros, combinando saneamento, drenagem, infraestrutura verde e azul, espaços públicos, mobilidade e melhorias em habitações de interesse social. A cidade também busca financiamento para “jardins de chuva”, utilizando a infraestrutura pública existente para captar e gerenciar a água das chuvas durante períodos de precipitação intensa.
  • A província de KwaZulu-Natal (África do Sul), que sofre com a escassez de água, possui um Programa Transformador de Gestão de Rios para reabilitar corredores fluviais poluídos e propensos a Inundações, aumentando a segurança hídrica e a resiliência das comunidades contra cheias e secas.
  • O Conselho de Auckland (Nova Zelândia) está expandindo sua cobertura de floresta urbana em 16 distritos locais e plantando 11.000 árvores nas ruas.
  • A campanha Cool Boulder, da cidade de Boulder (EUA), mobilizou mais de 70 voluntários da comunidade para coletar dados de temperatura e umidade em um dos dias mais quentes do ano. A ação gerou mapas de calor que orientam estratégias de infraestrutura verde para resfriar a cidade, aumentar a resiliência climática e reduzir os efeitos nocivos do calor extremo à saúde.

“Existe um potencial enorme de sinergia entre a ação climática e as soluções baseadas na natureza. Diante de orçamentos públicos mais enxutos, governos locais e subnacionais precisam ser cada vez mais eficientes. Eles têm a oportunidade de projetar e implementar abordagens benéficas tanto para as pessoas quanto para os territórios, explorando uma ação climática integrada — resiliência, adaptação e mitigação — em combinação com a natureza, além de proteger a biodiversidade. Espaços verdes ajudam a resfriar as cidades. Telhados e paredes verdes podem isolar edifícios termicamente. O leque de ações é vasto.
Maryke van Staden, Diretora do Carbon Climate Center do ICLEI

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