Ações para o carnaval ser mais sustentável

  • Grande aumento de circulação de pessoas amplia desafios ambientais nas cidades, com descarte incorreto de latas, plásticos e mesmo líquidos;
  • EcoFolia Solidária, em Salvador (BA) e Ancat (São Paulo) fazem a coleta seletiva nas ruas onde acontece a folia.
  • Foto: Divulgação/SecomBA/GOVBA

A alegria do carnaval pode ser ainda mais positiva na medida em que tenha cada vez menos impacto no meio ambiente. Na Bahia, por exemplo, a festa reuniu no ano passado cerca de 3,5 milhões de visitantes, incluindo a capital Salvador e cidades do interior, segundo dados da Secretaria de Turismo do Estado.

A afluência de pessoas amplia a geração de resíduos, o consumo de água e a pressão sobre os sistemas de drenagem e saneamento. Por ser período de chuvas de verão, os resíduos descartados inadequadamente nas ruas podem ser levados para canais de drenagem e alcançar corpos d’água.

De acordo com balanço do projeto EcoFolia Solidária, as ações de coleta seletiva e triagem ambiental recolheram mais de 169 toneladas de materiais recicláveis durante os dias de folia em Salvador no ano passado. Coordenado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema). Sem destinação adequada, parte desse material pode contribuir para a poluição hídrica e o comprometimento de ecossistemas aquáticos.

“O Carnaval é um momento de celebração coletiva, mas também exige atenção aos impactos ambientais. Atitudes simples, como descartar corretamente o lixo e evitar desperdício de água, fazem diferença concreta na proteção de rios, lagoas e praias”
Ana Odália Sena, coordenadora do Fórum Baiano de Comitês de Bacias Hidrográficas e professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

Neste ano, o Governo do Estado lançou ações que incluem a promoção do trabalho decente, da inclusão social e da geração de renda. O projeto “Meu Corre Decente: Trabalho Decente e Solidário na Folia”, tem investimento superior a R$ 8,5 milhões e deve beneficiar catadores, músicos, cordeiros e ambulantes. Estão sendo distribuídos kits de Equipamentos de Proteção Indivicual (EPIs) para catadores e ativado o Ecofolia Solidária, para assegurar a destinação adequada dos resíduos.

Atuação dos catadodores em São Paulo

Em São Paulo, a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat) vai fazer a gestão da recuperação de embalagens durante a folia em 2026, reforçando as ações de conscientização ambiental, economia circular, limpeza urbana e geração de renda em um dos maiores eventos populares do país.

A operação é realizada em parceria entre a Ancat, Ambev e a EcoUrbis, concessionária municipal responsável pela coleta de resíduos em mais da metade da capital paulista, e conta com o apoio institucional da Prefeitura de São Paulo.

Trabalhadores da Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Matriais Recicláveis (Ancat), em São Paulo. Imagem: Divulgação

A atuação contempla o Pré-Carnaval (7 e 8 de fevereiro), os dias oficiais de folia (14, 15, 16 e 17 de fevereiro) e o Pós-Carnaval (21 e 22 de fevereiro). Durante esse período, centenas de catadores irão participar da folia trabalhando e promovendo a coleta seletiva e evitando que toneladas de resíduos recicláveis tenham como destino o aterro sanitário.

A central de triagem será instalada no Parque do Ibirapuera, onde 200 catadores e catadoras, sendo 150 autônomos e 50 cooperados, terão atuação contínua ao longo dos oito dias. Os catadores autônomos irão prestar serviço de coleta e receberão um valor de acordo com a metas em quilogramas definidas.

20 kg plástico/alunínio = R$ 250

Eles podem optar por realizar a recuperação de 15kg ou de 20kg de plásticos e/ou latinhas de alumínio). O valor do serviço prestado é de R$ 150 e R$ 250, respectivamente. Os resíduos serão pesados no momento da entrega, garantindo transparência e reconhecimento imediato do trabalho realizado.

Os catadores cooperados atuarão na Central de Triagem recepcionando o material entregue pelos catadores autônomos: pesando, registrando, acondicionando e armazenando os materiais em caçambas para envio à COOPERE. Esses trabalhadores receberão R$ 250,00 por cada dia trabalhado e a renumeração obtida com a venda dos materiais recicláveis coletados será repartida entre as cooperativas participantes.

“Essa ação alia sustentabilidade, limpeza urbana e geração de renda, valorizando o trabalho dos catadores e contribuindo para um Carnaval mais consciente, com impacto positivo tanto para a cidade quanto para as pessoas envolvidas”
Fabricio Cobra, secretário municipal das subprefeituras.

O Bloco da Reciclagem 2026 reforça o compromisso da Ancat, da Ambev e do poder público com um Carnaval mais limpo, sustentável e socialmente justo, colocando os catadores e catadoras como protagonistas de uma folia que gera impacto positivo para toda a cidade. Esse modelo já apresenta resultados concretos: no Carnaval 2025, em quatro dias de festa no Parque do Ibirapuera, os catadores e catadoras mobilizados pela operação coletaram mais de 16 toneladas de resíduos recicláveis, comprovando a eficiência da prestação de serviços ambientais urbanos em eventos de grande porte.

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