Nutec cria filme natural para conservar alimento

  • Pesquisa no Ceará financiada pela Funcap, com gestão da Fundepag, desenvolve películas de baixa espessura compostas por biopolímeros e substâncias naturais para substituir plásticos e reduzir o uso de aditivos sintéticos na agricultura e conservação de alimentos;
  • Aplicação na região busca mitigar perdas na produção devido às condições logísticas e ao clima semiárido.
  • Foto: Pimentão não revestido com a película (direita) registra perda de 30% da massa em 15 dias (Divulgação).

Novas abordagens para prolongar a qualidade dos alimentos vêm despertando atenção ao propor mudanças concretas nos métodos tradicionais de conservação. O Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec) está desenvolvendo o Projeto de Revestimentos Comestíveis e Filmes Biodegradáveis com o objetivo de aumentar a vida útil de produtos agrícolas de forma sustentável.

O foco central do trabalho é a criação de barreiras para a conservação de alimentos que permitam a redução do uso de plásticos convencionais e de aditivos sintéticos no período pós-colheita. A tecnologia consiste na formulação de películas de baixa espessura compostas por biopolímeros e substâncias naturais. Essas estruturas funcionam como barreiras seletivas a gases e à umidade, atuando no controle da taxa respiratória dos alimentos.   

“O estudo concentra esforços na criação de coberturas naturais e materiais sustentáveis voltados à preservação de alimentos. Em um cenário global que demanda urgentemente soluções para o desperdício de alimentos e a redução de resíduos plásticos, esse projeto desenvolvido pelo Nutec posiciona não apenas o estado do Ceará, mas o Brasil na vanguarda da pesquisa em embalagens ativas e inteligentes”
Crisiana Nobre, coordenadora bolsista do projeto 

A composição pode receber o acréscimo de agentes antioxidantes ou antimicrobianos naturais para manter a qualidade nutricional e sensorial dos produtos. A abordagem do projeto une áreas como ciência dos alimentos, química, biotecnologia e educação para gerar resultados com menor impacto ambiental. 

“A tecnologia em estudo substitui ou reduz a necessidade de aditivos sintéticos e embalagens plásticas convencionais na conservação pós-colheita. O resultado é uma extensão do período de conservação, mantendo a qualidade, com um impacto ambiental significativamente menor”
Carlota Souza, pesquisadora bolsista do projeto

A aplicação da pesquisa no estado do Ceará busca mitigar perdas na produção provocadas pelas condições de logística e de clima do semiárido. O projeto promove a segurança econômica para produtores e a segurança alimentar para a população, alinhando-se a políticas de agroecologia, bioeconomia e inovação no agronegócio. No âmbito internacional, a proposta atende às diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU) para a redução do desperdício e aos princípios da economia circular, que visam a substituição do modelo de extração e descarte.  

A iniciativa recebe financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e conta com a parceria da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) na gestão do projeto. O investimento da pesquisa é de pouco mais de R$ 500 mil.

Pilar da extensão: formando a próxima geração de cientistas 

O projeto também mantém um pilar de extensão e divulgação científica direcionado a estudantes do ensino médio da rede pública municipal do Ceará. Por meio de palestras e atividades interativas, uma equipe apresenta a aplicação do método científico na resolução de problemas da comunidade ligados à produção de alimentos.

Essa ação busca o despertar de vocações para carreiras em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conectando a pesquisa laboratorial ao desenvolvimento socioeconômico e ao futuro da produção científica. 

“A iniciativa representa um investimento estratégico no futuro dos alimentos, por meio de embalagens mais inteligentes e ecológicas; no futuro dos agricultores, com ferramentas para reduzir perdas; e no futuro da própria ciência, ao semear o interesse pela pesquisa nas salas de aula das escolas públicas”
Gabriel Aguiar Mendes, gerência de Negócios do Nutec. 

Sobre a Fundepag: A Fundepag foi criada em 1978, a partir dos esforços de grupos empresariais, representantes da agropecuária, da indústria, do comércio e das finanças para somar esforços do Estado e da iniciativa privada no desenvolvimento de projetos de pesquisa.  Apoia e executa diversos tipos de projetos, serviços tecnológicos, capacitações e eventos. Além de contar com seu próprio Núcleo de Inovação Tecnológica Fundepag – NIT, expandido para Centro de Inovação Tecnológica – Conexão.f – reconhecido pelo Governo paulista, oferece uma estrutura de apoio administrativo-financeiro, de gestão de pessoas, consultoria jurídica e ferramentas informatizada

Sobre o Nutec: Em 1977, a Secretaria de Indústria e Comércio do Governo do Ceará realizou um estudo pioneiro para identificar os desafios tecnológicos enfrentados pelas indústrias locais. A pesquisa revelou carências em manutenção, controle de qualidade, treinamento de pessoal, transferência de tecnologia, pesquisa aplicada e consultoria. Com base nesses dados, foi elaborado um Plano Diretor, que justificou a criação do Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), destacando programas prioritários como assistência técnica, treinamento, ensaios tecnológicos e projetos de pesquisa. 

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