Desinformação é barreira para moda consciente

  • Professora do curso de Moda da Faculdade Santa Marcelina Monika Debasa indica práticas que podem transformar a intenção sustentável em atitudes na hora da compra e no uso das peças.
  • Foto: Karola G Kaboompics

 Segundo a Sustainability Sector Index (SSI), da Kantar, 87% dos brasileiros afirmam que desejam ser mais sustentáveis, mas apenas 35% colocam essa intenção em prática no momento das compras. A professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina Monika Debasa há anos observa os movimentos de sustentabilidade desse mercado e considera que o compartilhamento nichado de informações ainda é uma das principais barreiras na democratização da moda consciente. 

“Se há campanha de marketing sobre consumo consciente é porque foi realizado um estudo prévio com público receptivo. Ou seja, por mais que hoje o perfil de consumidor seja diverso, a sustentabilidade, não só na moda, deixou de ser tendência e passou a ser pré-requisito. Há vários estudos que demonstram a geração Z muito mais propícia à moda sustentável, o que gera novos produtos e modelos de negócios.”
Monica Debasa, professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina 

 A seguir, a especialista indica quais práticas podem transformar a intenção sustentável em atitude: 

 1. As diversas formas de ser sustentável

Produtos com certificações, rastreamento de cadeia produtiva e práticas trabalhistas regularizadas tendem a ter custo mais elevado. No entanto, segundo Debasa, há alternativas financeiramente acessíveis fundamentais para uma cadeia de consumo consciente, como a compra de segunda mão, aluguel de roupas e upciclying.  

2. Cuide bem do que é seu!

Um dos maiores impactos ambientais da moda não está no momento de “passar o cartão”, mas na fase de uso da peça. Reduzir lavagens desnecessárias, seguir instruções de conservação e prolongar o uso são atitudes que diminuem o impacto ambiental e o ciclo de consumo. 

“O alto uso de energia e água durante a vida útil da peça supera o gasto de produção em itens de uso constante. A longevidade do material é fundamental para a economia circular.”
Monica Debasa 

3. Uso criativo 

“A compra por impulso, principalmente via estímulo das mídias, tende a ser pouco planejada dentro de um guarda-roupa e, consequentemente, as peças têm pouco uso”. A recomendação é reorganizar periodicamente o armário e reavaliar combinações. Além de contribuir para o consumo consciente, esta prática estimula a criatividade e o desenvolvimento de estilo próprio.  

4. Cuidado Greenwashing

Por fim, a docente alerta sobre o Greenwashing, estratégia de marketing na qual empresas promovem produtos como ambientalmente responsáveis sem cumprir critérios de sustentabilidade. Por isso, é essencial analisar a marca de forma ampla, não apenas o produto. Relatórios de sustentabilidade, dados de rastreabilidade, certificações e reputação da empresa são indicadores relevantes. 

“Para  evitar o Greenwashing vale o tempo de uma investigação mais criteriosa, pois o consumidor final é o que tem o poder de endossar ou não uma marca”

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