As 175 Unidades de Conservação federais brasileiras alcançaram um marco histórico. Um estudo divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) revelou que essas áreas protegidas receberam, juntas, 28,5 milhões de visitas em 2025. Os parques nacionais concentraram a maior parte desse fluxo, atraindo 13,6 milhões de pessoas e registrando o maior volume de visitação de sua história.
Embora o recorde seja comemorado, o crescimento expressivo do público acende o alerta para os impactos ambientais decorrentes do uso intensivo dessas áreas, como o acúmulo de lixo, riscos de incêndios florestais, degradação da fauna e da flora, além da contaminação do solo e da água. Diante desse cenário, parcerias entre o poder público e a iniciativa privada ganham força para estruturar o uso público e promover a educação ambiental.
Para garantir que a expansão do turismo ocorra de forma sustentável, o ICMBio fechou parceria com a Gear Tips, empresa especializada em educação para atividades em áreas naturais. A cooperação foca na capacitação de gestores e monitores para disseminar a metodologia internacional Leave No Trace (Não Deixe Rastro) — conceito ético de mínimo impacto amplamente consolidado na gestão de parques norte-americanos. O treinamento integra o Programa CAPACITAR, financiado pela própria Gear Tips.
O programa já conta com a adesão de parques nacionais de destaque, como o da Tijuca (RJ), Serra dos Órgãos (RJ), Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Veadeiros (GO) e Caparaó (ES/MG), além de parques estaduais paulistas. Recentemente, equipes do Parque Nacional de Brasília também se reuniram para incorporar o método ao planejamento da unidade.
Pedro Lacaz Amaral, CEO da Gear Tips, ressalta a importância de subsidiar esse aprendizado para transformar o comportamento social de forma progressiva. “O movimento vem ampliando a conscientização sobre o mínimo impacto no uso público. Em menos de dois anos, formamos mais de 500 pessoas, com 95% dos recursos provenientes do próprio Gear Tips. Reduzir impactos ambientais deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade”, afirma Amaral.
Pelo lado do ICMBio, Virginia Talbot, chefe da Divisão de Serviços Ambientais na Coordenação-Geral de Uso Público e Serviços Ambientais (CGEUP), pontua que a conscientização precisa caminhar lado a lado com a infraestrutura. “A capacitação é importante para orientar o comportamento das pessoas e reduzir os impactos ambientais. Mas, para dar conta do volume de visitantes, precisamos integrar essa iniciativa às políticas de uso público, que organizam a visitação por meio de planejamento, infraestrutura e monitoramento”, explica.
Expansão em São Paulo com a Fundação Florestal
A disseminação das práticas de mínimo impacto também avança no âmbito estadual em São Paulo por meio da Fundação Florestal. O programa, que já havia certificado monitores do Parque Estadual Serra do Mar (Núcleo Bertioga) e do Monumento Natural Estadual da Pedra do Baú, expandiu as formações em abril para gestores de diversas outras áreas paulistas.
A lista inclui os parques estaduais Restinga de Bertioga, Águas da Billings, Itinguçu, Xixová-Japuí, Vassununga, e outros núcleos da Serra do Mar (Itutinga-Pilões, São Sebastião e Padre Doria), além das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Marinha do Litoral Centro e do Banhado.
A meta agora é transformar a metodologia em um padrão de mercado na gestão ambiental do estado. “A expectativa é que monitores e gestores obtenham a certificação Leave No Trace para atuar em unidades de conservação, assim como já ocorre com treinamentos obrigatórios, como os de primeiros socorros”, conclui Juliana Castro, gerente regional de 11 Unidades de Conservação da Fundação Florestal e gestora do Núcleo Bertioga do Parque Estadual Serra do Mar.
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