- No Dia Mundial da Água, ganham visibilidade alternativas para otimização do consumo, como projetos de reciclagem industrial que podem liberar água de mananciais para uso humano;
- Atualmente, no Brasil, o índice de água reciclada é de 1,5%, segundo o Instituto Reúso de Água.
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No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o debate sobre o uso eficiente dos recursos hídricos ganha ainda mais relevância. Embora o Brasil concentre uma das maiores disponibilidades de água doce do planeta, o país enfrenta desafios relacionados à distribuição e à pressão crescente sobre os sistemas de abastecimento.
Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o consumo médio no país é de cerca de 150 litros por habitante por dia, portanto, acima dos 110 litros recomendados pela ONU. Além disso, o uso da água é intensivo em diversos setores da economia, como a agricultura. Dos cerca de 64 trilhões de litros de água retirados anualmente no Brasil, aproximadamente 60% são destinados a atividades agrícolas, enquanto cerca de um quarto vai para o abastecimento urbano.
Nesse cenário, alternativas que reduzam a pressão sobre mananciais ganham relevância. Uma dessas soluções é o reuso de água, ou água reciclada, que permite que efluentes tratados sejam utilizados em atividades industriais, agrícolas ou urbanas, liberando água de melhor qualidade para o abastecimento humano. Segundo estudo da International Finance Corporation (IFC), a reciclagem de água costuma exigir menor investimento e gerar menos impacto ambiental do que outras fontes alternativas de suprimento hídrico.
Estimativa do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) indica que, com segurança regulatória e planejamento adequado, o Brasil poderá alcançar até 10% de reuso de água em relação ao esgoto tratado até 2035, o que contribuiria significativamente para a segurança hídrica diante da crise climática. Atualmente, no Brasil, o índice de água reciclada é de 1,5%, de acordo com o Instituto Reúso de Água, e somente com destinação industrial.
“Água reciclada é uma estratégia inteligente para enfrentar os desafios da segurança hídrica, uma vez que, quando utilizada em atividades industriais em larga escala, preservamos água de mananciais para o abastecimento da população.”
Márcio José, CEO da Aquapolo
Case brasileiro: 1 bilhão de litros reciclados por mês
No Brasil, um dos exemplos dessa estratégia é a Aquapolo Ambiental, maior empreendimento de reciclagem de água da América Latina. A planta trata e fornece cerca de 1 bilhão de litros de água reciclada por mês para o Polo Petroquímico de Capuava e outras indústrias do ABC Paulista. Com isso, essas empresas deixam de utilizar água potável ou captada diretamente de mananciais em seus processos produtivos.

“A água reciclada permite que a indústria continue operando sem pressionar ainda mais os mananciais. É uma solução que beneficia tanto o setor produtivo quanto a sociedade”
Márcio José, CEO da Aquapolo
O resultado é uma contribuição direta para a segurança hídrica regional, especialmente em um contexto de mudanças climáticas e maior variabilidade no regime de chuvas.
Em Cingapura, até 40% dos efluentes domésticos e industriais são reciclados em uma água tão pura que pode ser bebida. A Califórnia investe em reuso potável indireto, armazenando água reciclada em aquíferos como reserva estratégica. Na Namíbia, desde 1968 parte do abastecimento urbano já é feito com água reciclada potável — uma das práticas mais antigas do mundo.
Sobre a Aquapolo Ambiental: A Aquapolo é resultado de parceria entre a GS Inima Industrial e a SABESP, desenvolvido como uma solução para gestão hídrica junto ao Polo Petroquímico de Capuava e indústrias da Região do ABC Paulista. Desde 2012, quando iniciou sua operação, o empreendimento já forneceu mais de 140 milhões de metros cúbicos de água de reuso, cujo volume seria suficiente para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes pelo mesmo período de 13 anos.

