- Workshop ouviu especialistas e comunidades sobre soluções que contribuam para a redução do uso de combustíveis fósseis e melhoria da qualidade de vida em comunidades ainda não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN);
- Imagens: Divulgação Fundação Amazônia Sustentável (FAS)
“Esses dias estão sendo muito bons, não apenas para mim, mas para a comunidade toda, porque a energia ajuda na conexão à internet – algo que antes não tínhamos. Agora, a nossa qualidade de vida melhorou muito”. Esse é o relato de Mateus Dinis da Silva, morador da comunidade Três Unidos, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, no Amazonas, do povo Kambeba.
Mateus está entre os consumidores que vêm tendo suas vidas transformadas por iniciativas para a universalização do acesso à energia elétrica renovável. Seu depoimento foi compartilhado durante o Workshop do Programa Energias da Amazônia 2026, que está sendo realizado em Manaus (AM) nesta semana (10 e 11/02/2026).
O encontro reuniu representantes de comunidades, especialistas e instituições para debater caminhos para a transição energética na Amazônia, a partir das realidades locais. A iniciativa é realizada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Aliança Global de Energia para Pessoas e Planeta (GEAPP).

Menos óleo diesel
O workshop integra as ações do Protocolo de Intenções firmado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) e tem como foco discutir soluções que contribuam para a redução do uso de combustíveis fósseis e para a melhoria da qualidade de vida em comunidades ainda não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Lançado pelo Governo do Brasil em 2023, o programa Energias da Amazônia busca reduzir o uso de óleo diesel na geração de energia nos Sistemas Isolados, responsáveis pelo fornecimento de eletricidade a mais de 1,96 milhão de pessoas que vivem em cidades e comunidades da Amazônia.
Para a FAS, a escuta ativa dos territórios é um dos pilares para que as iniciativas tenham impacto real e duradouro. Segundo Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, a construção coletiva é essencial para o sucesso do programa.
“Quando todos nós estamos envolvidos no mesmo objetivo, que é levar energia para os territórios mais distantes da Amazônia profunda, o resultado tende a ser muito positivo. Isso acontece porque estamos ouvindo as comunidades e considerando suas realidades.”
Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da Fundação Amazônia Sustentável (FAS)
Desde o início das ações, o programa já realizou 13 interligações ao SIN, beneficiando mais de 500 mil consumidores. Além disso, no último leilão de sistemas isolados, foram contratados 50 megawatts de potência, destinados a atender cerca de 30 mil pessoas em localidades remotas dos estados do Amazonas e do Pará.
Busca pela inovação
Ao mesmo tempo em que reconhece os desafios e singularidades que a região amazônica possui, como logística complexa e grande dispersão territorial, Lorena Melo, diretora de Programa do MME, reafirma o compromisso em buscar soluções que tragam um novo patamar de inovação e redução no uso de combustíveis fósseis.

“É um compromisso com as pessoas, com o desenvolvimento e com a transformação do modelo energético em territórios onde a energia custa mais e chega com mais dificuldade.”
Lorena Melo, diretora de Programa do Ministério de Minas e Energia (MME)
A Aliança Global de Energia também tem desempenhado papel estratégico no apoio às ações. De acordo com a organização internacional, a curto prazo, projetos-piloto devem ser implementados em territórios amazônicos, beneficiando aproximadamente mil pessoas, com investimento estimado em US$ 3 milhões.
Na avaliação de Luisa Valentim Barros, Diretora Brasil da Aliança, os projetos vão além do acesso básico à energia. Eles podem ser um apoio para a formulação de políticas públicas voltadas à universalização do acesso à energia elétrica. “É uma abordagem que proporcionará acesso à iluminação, televisão, refrigeração para as comunidades amazônicas, mas também vai fortalecer atividades produtivas que geram renda para as comunidades”.
Em breve, quem também será beneficiado por iniciativas semelhantes é Segundo ele, 78 famílias de seu território e de comunidades adjacentes devem ser atendidas.
“Para mim, a expectativa é das melhores. Vai favorecer muito a guardar o próprio alimento, criar nossos filhos. A gente espera, cada vez mais pela nossa comunidade, esses tipos de projetos. Chegou energia, chegou o progresso.”
Rui da Silva Barbosa, morador da Comunidade Uixi, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus
Sobre a FAS – A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

